Guajará-Mirim: Porto volta a funcionar, mas comércio ainda enfrenta crise

Após um mês de atividades paralisadas no Porto de Guajará-Mirim, as  primeiras exportações voltaram a acontecer no dia 19 de junho deste ano. Ainda assim, de acordo com a  Associação Comercial, Industrial e Serviços de Guajará-Mirim (ACISGM), o problema com a crise enfrentada entre o Brasil e Bolívia não foi reduzida como se esperava.

De acordo com o presidente da ACISGM, Marcio Badra, a execução de um Tratado entre os países divididos pelo Rio Mamoré e assinado há quase 30 anos, regulamenta a exportação de produtos ao território boliviano (Guayaramerín) por uma balsa regulamentada pela Agência de Transportes Aquaviários (Antaq), está muito aquém de atender as necessidades do Município e região.

"O setor exportador fatura no máximo 15% do que faturava antes! Todos estão com dificuldades. Ninguém voltou a vender como antes. A maior parte dos comerciantes está com suas atividades de exportação totalmente paralisadas", relatou Badra. Ele destacou que, parte das venda que eram efetuadas via exportação estão ocorrendo, ainda, pois devido ao câmbio estar muito favorável está sendo possível a venda via nota fiscal ao consumidor, mas se o cambio voltar a patamar normal a crise será seriamente agravada, pois o aumento de preços ao comprador boliviano inviabiliza a compra via Guajará-Mirim.

Os problemas continuam sobre o empresariado local, que já não estão em condições favoráveis de manutenção de suas empresas. "Mesmo assim somados exportação e vendas através da nota fiscal ao consumidor direcionada a Bolívia, não está sendo vendido nem a metade de antes. Isto devido as dificuldades adicionais criadas pelo novo modal de transporte. Antes entregávamos no Porto do Brasil e todas as dificuldades eram resolvidas pelos clientes bolivianos", lembrou o presidente.

Segundo Badra, as atividades de exportação ocorrem hoje apenas por via rodoviária. "Nós, exportadores brasileiros temos que resolver todas as burocracias do lado Boliviano como as Licenças de importações nos mais diversos organismos daquele país como, por exemplo, no Servicio Nacional de Sanidad Agropecuaria e Inocuidad Alimentaria (Senasag) para alimentos, no órgão boliviano similar ao Ibama para móveis, no Inmetro boliviano para geladeiras, freezers e ar-condicionado, etc.. Tudo isto gera um custo absurdo para obter registro e licenciamento, inviabiliza uma parte substancial dos negócios locais", destacou.

FRAGILIDADE

De acordo com a Associação Comercial, no momento, o comércio está fragilizado por falta de clientes. E, todas as burocracias atuais podem deixar a cidade com prejuízos elevados. "Nossa cidade tem o comércio exportador como a principal opção de renda, para gerar mais emprego, pois a economia local, ainda, é extremamente dependente dos contracheques de funcionários públicos. Aqui, o turismo ainda está em desenvolvimento. Já no que se refere a agricultura e a pecuária não tem grande perspectiva de crescimento por falta de área, pois temos mais de 93% da nossa área como sendo de reserva", destacou.

PROPOSTA DE DEBATES

A ACISGM, através de seus diretores, está trabalhando juntos aos organismos nacionais (e internacionais) envolvidos com exportação para criar um acordo binacional para resolver a situação, para um evento visando discutir e buscar soluções ao impasse do momento.  "Os organismos bolivianos com exceção da Aduana Boliviana e Senasag não estão presentes na fronteira, fora o custo dos registros, que é alto, existe o custo de deslocamento para obter as licenças. A saída ideal seria manter o sistema atual juntamente com o antigo até que haja estrutura nos dois lados da fronteira. Esta é a nossa proposta!", reiterou.

ITENS DE COMPRA

O mercado boliviano compra (va) na cidade de Guajará-Mirim diversos produtores sendo, a sua maioria, alimentos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos, calçados, utilidades domesticas, ferramentas, motocicletas, etc.